Archive for January, 2008

Dono de casa desesperado 3

Ora como muitos de vós devem saber, vivo sozinho excepto alguns fins-de-semana ou uma ou outra semana (que parecem meses) em que os meus velhotes cá vêem.

Como tal sou obrigado (literalmente) a tratar das lides domésticas que passam por passar a ferro, lavar a loiça, limpar o pó, fazer a cama, por o lixo na rua, etc.

Eu até não me importo de fazer isto tudo, mas aborrece-me e não é pouco. De todas as tarefas a que mais abomino é mesmo passar a ferro. Por isso, e como filho pródigo que sou, deixo essa tarefa prá minha velhota para quando ela vem cá acima. Só mesmo para ela não se sentir inútil ou não ter nada para fazer, só mesmo por isso… porque passar a ferro até é engraçado e essas coisas todas. Um truque que pode ser usado quando se chega ao cúmulo de não ter mais nada para vestir (coisa que jamais, em tempo algum, me aconteceu, note-se…) é colocar uma blusa ou umas calças num cabide na casa de banho e tomar banho com a porta fechada. Com o vapor aquilo fica que é uma maravilha. Fica um bocado molhado, é certo, mas hey, livrei-me de passar a ferro!

Lavar a loiça também não é dos meus desportos favoritos (estar na ronha no sofá, a babar-me como se não houvesse amanhã, isso sim é desporto de homem de barba rija). Mas lavar a loiça até é rápido e é mesmo necessário porque não posso passar 3 ou 4 semanas à espera que alguém a lave por mim. A solução passava por comprar uma máquina de lavar loiça, mas há alguém que não gosta lá muito da ideia, dunno why.

Outras coisas fazem-se com mais facilidade como limpar o pó e aspirar. Vantagens de ter um T1 sem aqueles bibelotzinhos, moldurazinhas, peluchezinhos e outras mariquices que só servem para encher de pó. Ser alérgico aos ácaros também facilita o não adiamento destas tarefas. Estas alergias levam também à minha completa recusa em fazer a cama. Como é do conhecimento comum, uma cama sem estar feita tem muitos menos ácaros do que uma cama feita, porque eles gostam do quentinho e essas coisas. E fazer a cama para quê se dps vai ser desfeita? É só perder tempo e energia.

Todas estas coisas dignas de um bom dono de casa são muito negligenciadas em época de exame. A loiça acumula-se, o pó faz um montinho fofo, a roupa continua à espera de ser passada a ferro e a cama continua a não ser feita. Mas um gajo tem de estudar para ser alguém né? Há que impor prioridades.

A nível de alimentação faço o básico, o belo do bifinho grelhado, o arroz (com técnica), o esparguete (sou granda Deus a fazer esparguete), massa com atum (a típica comida de estudante), ponho as pizzas e lasanhas congeladas e os douradinhos no forno (parece fácil mas não é… é preciso regular a temperatura do forno, ir constantemente dando uma vista de olhos… n é pra toda a gente).

Como podem ver sou um excelente partido e o sonho de qualquer mulher. Estou bem educado e sei por “coisas” no forno, que podem querer mais?

Mas uma coisa que me intriga é a dantesca diferença entre uma casa limpa por mim e a mesma limpa por uma mulher. Quando é limpa por uma mulher é logo diferente, tem um cheiro especial, parece que tá sempre melhor. Não sei porquê mas aposto que tem alguma coisa a ver com os genes. E toda a gente gosta de ter uma casa com aquele cheirinho a limpo.

” É cá góste”

Disney, seu adorador do Demo xD 3

Depois deste vídeo só posso concluir que Walt Disney devia ter um livro de São Sipriano hehe. E pequena sereia, minha badalhoca, tu nunca me enganaste!! Eu logo vi que foste tu que me levaste para as coisas más (cof) da vida pah!

Se algum dia ouvirem o chamamento do senhor, não tenham filhos… vão logo correr a uma igreja e rezem 13 avés marias e 666 pais nossos, é a salvação “irmões”!!

 

Leituras de Casa de Banho 2

Ler na casa de banho é algo que faz parte da cultura portuguesa. E eu admito, com um certo orgulho, que faço parte dessa cultura.

Lembro-me dos tempos remotos em que lia o Tio Patinhas, Os Cinco e outras coisas mais infantis. Mas agora é outra história. A publicidade recebida tem outro significado. Sejam folhetos da Vobis, da Decathlon, o Destake ou a clássica Dica da Semana. Esta última é a verdadeira leitura de casa de banho. Mas nem só isto se lê.

Pela minha casa de banho já passou Margarida Rebelo Pinto (excelente laxante natural) , Miguel Sousa Tavares e ainda  Rodrigo Guedes de Carvalho.

Bibliotecas pra quê, quando se pode ler na paz e sossego da casa de banho?

Exames 2

Ora um já foi com o boda, 2 faltei, 1 ainda não saiu o resultado… Isto vai bem. Recursos, here i go!

Novo Aeroporto 1

Bem o local para o novo aeroporto parece já estar definido. Mas depois de tanto estudo, tanto dinheiro mal empregue, tanta decisão mal tomada, tanto “vai ser aqui, ai não, vai ser ali”, digam-me então porque não pensaram em construí-lo aqui nesta modesta vila (sim Corroios é vila e não tenho orgulho nisso) porquê?

Meus amigos, eu acho mal… Senão vejamos, aqui não há qualquer problema a nível de terreno (isto é plano, plano, plano), já tem uma pista de aterragem (mesmo aqui à frente de casa), há população, há transportes públicos, o que querem mais?

A pista de aterragem consiste nada mais nada menos que na bela avenida principal, é grandota e os carros desviavam-se na boa! O problema do barulho n se impõe, já que eu antes tb tava sempre a ouvir o metro e agora nem dou por isso. Clientes não iam faltar. Veja-se as cinquentonas na sua passada apressada qual joguing às 5 da tarde, sempre para cima e para baixo. Só um palerma não vê que estão com pressa e não se importavam de apanhar um aviãozito para chegarem ao seu destino mais depressa. A nível de transportes também não faltam. Basta ver os TSTs em hora de ponta completamente atulhados. E após 5 anos de eu ter vindo cá pra cima até já há metro de superfície (yupi).

Aqui há de tudo senhor ministro! Até 2 mini-preços separados por meia dúzia de metros, tudo quanto é instituição bancária está disponível na avenida principal, há uma papelaria com o nome Xô Tomás. Pedir mais que isto acho que é abusar da boa vontade das pessoas. Ah e até a avenida se chama 25 de Abril à semelhança da ponte que pode ser “danimitada”!

Depois disto tudo acho que foi mesmo muita desconsideração descorar Corroios como local para o novo aeroporto internacional de Lisboa. Até já se percebeu que ser neste deserto que é a margem sul não é um ponto negativo!

Por isso, vamos lá, mais um estudozinho, n custa nada, a malta espera, é na boa!

Tenho a certeza que Corroios vai ficar conhecido não só por ter o festival de novos talentos Rock mais antigo do país, mas também por ser o palco de entrada de estranjeiros esbanjadores em Portugal.

Sr. Ministro, tenho a certeza que o convenci com aquela dos 2 mini-preços pertinho pertinho pertinho, voçê tem cara de quem vai ao mini-preço, admita lá.

NOTA: Abomino o sítio onde vivo e tudo o que tenho a ver com o novo Aeroporto Internacional de Lisboa.

Eu não sabia 2

Pelo que consta, e segundo o Alvim (esse Senhor), nos aeroportos há snipers caso haja alguma eventualidade ou necessidade de matar algum passaroco que tenho fetiches com aviões. Para ajudar à festa há ainda falcões que fazem +/- a mm merda. Agora se ouvirem tiros de sniper no aeroporto ou algum falcão vos rasar a cabeça aquando da entrada para um avião não se assustem. Tá td planeado…

Gatos e velocidades 3

Ora bem, os Gatos Fedorento assinaram pela SIC até 2009, mas só vão começar o programa em Setembro deste ano.

E agora uma coisa estúpida… querem diminuir a velocidade máxima nas cidades de 50km/h (que ninguem cumpre) para 30 km/h (ridículo!!!). Vamos lá ver se isto vai para a frente e quantas multas vão daqui resultar. E agora perguntam-me : “Tão e que diferença é que isso te faz? N tens carro anyway!” …. E eu faço beicinho e olhinhos à bambi :P

Sintomas de Falta de Vontade para Estudar 3

Sabe-se que não se está com a mínima pachorra para estudar, quando após 15 minutos (novo recorde pessoal) a ler acetatos de BD, nos lembramos “ah pois, se calhar vou limpar o fogão. E aproveitando a onda vou também arrumar a loiça…. e a roupa que tá a secar há 1 semana na sala”.

Isto tá muito, muito crítico para estes lados…

And now… for something completely different 0

Já que a lei do tabaco está por todo o lado (e ainda bem) e parece que está a ser respeitada(e ainda bem) deixo aqui um poema de Álvaro de Campos, esse eterno derrotista (cm eu), cujo título é “A Tabacaria”. O poema é grande mas de fácil compreensão. E eu gosto….pq sim!

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei que moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheco-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

 

Para ser músico… 0

Precisas lançar um CD posando para a foto da capa com um ar descontraído… e é só isso.